O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), lançou uma nova chamada pública que pode mobilizar até R$ 60 bilhões em investimentos até 2026.
O foco da iniciativa está na inovação tecnológica, no desenvolvimento sustentável e na expansão de setores estratégicos, como energias renováveis, transformação digital e biotecnologia.
Desde já, empresas de todos os portes, além de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), podem submeter propostas. Ao mesmo tempo, o programa também se articula com universidades, centros de pesquisa e governos estaduais, seguindo o modelo de tríplice hélice, que visa integrar ciência, mercado e políticas públicas.
Crédito mais competitivo para acelerar a inovação
Segundo Jackeline Ferreira Dias Bozza, gerente de produtos do FI Group, o elevado custo dos empréstimos bancários comerciais ainda representa um obstáculo para a inovação. Por outro lado, os bancos de fomento, como o BNDES e a Finep, oferecem condições mais acessíveis e estratégicas para quem deseja investir em inovação e sustentabilidade.
Por esse motivo, a chamada se apresenta como uma oportunidade concreta para ampliar a competitividade da indústria nacional. Ao oferecer linhas de crédito com taxas diferenciadas, o edital viabiliza projetos em áreas como energia solar, TI, IA e saúde, o que impulsiona, simultaneamente, a transição energética e o fortalecimento da economia.
Além disso, o programa prioriza propostas com impacto socioambiental positivo, o que favorece negócios que buscam alinhamento com as metas de descarbonização e neutralidade climática.
Barreiras técnicas ainda limitam o acesso
Apesar do grande volume de recursos disponíveis, muitas empresas ainda desconhecem as exigências para acessar o financiamento. Conforme aponta a especialista, o principal desafio está na estruturação técnica dos projetos, que exige documentos robustos, garantias reais e planejamento estratégico.
Nesse sentido, Bozza alerta que o desconhecimento sobre os mecanismos públicos de fomento é o maior gargalo para que pequenas e médias empresas consigam acessar o crédito. Portanto, disseminar informações claras sobre os critérios do edital e promover capacitação se torna essencial para democratizar o acesso ao programa.
Além disso, ela reforça que a intermediação com consultorias especializadas pode fazer a diferença para garantir a aprovação das propostas, já que o processo envolve análise técnica, viabilidade econômica e impacto ambiental.
Tendências tecnológicas alinhadas à chamada
Conforme o edital, os projetos mais promissores envolvem áreas que já despontam como prioritárias no cenário global. Entre as principais tendências apontadas, destacam-se:
- Inteligência Artificial (IA)
- Energias renováveis (solar, eólica e hidrogênio verde)
- Biotecnologia e saúde digital
- Cibersegurança e infraestrutura crítica
- Cidades inteligentes e Internet das Coisas (IoT)
Portanto, além de fomentar inovação, a chamada pública também posiciona o Brasil em sintonia com as agendas internacionais de desenvolvimento sustentável e transição digital.
Colaboração como motor da inovação
Ao articular empresas, universidades e setor público, o modelo de tríplice hélice fortalece a capacidade do país de transformar conhecimento científico em soluções aplicadas. Assim, a chamada do BNDES e da Finep busca fomentar parcerias de longo prazo, promovendo inovação de forma integrada, colaborativa e com impacto direto na sociedade.
Essa abordagem não apenas estimula a geração de tecnologia nacional, mas também impulsiona a criação de empregos qualificados, a atração de investimentos e a descentralização do desenvolvimento econômico.
Ao mesmo tempo, o edital estimula a criação de parques tecnológicos e hubs de inovação regionais, o que amplia as oportunidades fora dos grandes centros urbanos. Com isso, o programa contribui para reduzir desigualdades e promover um modelo de crescimento mais equilibrado.