Estudo alerta para impacto cognitivo de vídeos curtos nas crianças

Por: Edson | 20 de fevereiro de 2026

Estudo alerta para impacto cognitivo de vídeos curtos nas crianças

Duas pesquisadoras da Universidade de Macau concluíram que vídeos de formato curto usados nas redes sociais e assistidos em “scroll” nos celulares impactam negativamente o desenvolvimento cognitivo das crianças, podendo causar ansiedade social e insegurança.

“O consumo compulsivo de vídeos curtos tem um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo, podendo causar falta de concentração, ansiedade social e dúvidas sobre si mesmo”, explicou, em declarações à Lusa, Wang Wei, acadêmica da área de Psicologia Educacional da Universidade de Macau (UM), autora do estudo “Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses”.

“Esse formato de vídeo curto pode ser particularmente perigoso para as crianças”, alertou a pesquisadora. “Nossa pesquisa indica uma correlação direta: quanto mais os estudantes consomem vídeos curtos, menos se envolvem com a escola”, prosseguiu Wang.

Wang argumenta que, embora as necessidades psicológicas fundamentais das crianças devam ser satisfeitas ‘offline’, a arquitetura das plataformas de vídeos curtos, com algoritmos personalizados e funcionalidades de interação social, satisfaz de forma direta e sutil essas mesmas necessidades.

Essa satisfação paralela, sugere a pesquisa de Wang, “leva potencialmente ao uso excessivo e ao vício”. “A natureza estimulante e acelerada dos vídeos curtos os torna altamente divertidos para os alunos”, acrescentou ainda a pesquisadora.

Atenção necessária

Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Faculdade de Ciências Sociais da UM e autora do estudo “A relação dos componentes afetivos e cognitivos no uso problemático de vídeos curtos”, acrescenta às conclusões de Wang as questões relacionadas à superestimulação das crianças, que prejudicam ainda mais o desenvolvimento cognitivo saudável.

Os vídeos curtos capturam a atenção de todos precisamente porque “estão logo ali à mão e são gratuitos”, ressalta Wu, em declarações à Lusa. As pessoas podem acessar grandes quantidades de vídeos curtos “a qualquer hora, em qualquer lugar”. Esses comportamentos de dependência frequentemente têm origem em um “propósito funcional”, explicou.

“Precisamos aumentar a conscientização, sobretudo se o uso começar a afetar a vida cotidiana, levando ao sacrifício do tempo em família, à negligência do sono ou as pessoas a navegarem em momentos inadequados, como durante as aulas ou ao dirigir, colocando em risco a própria pessoa ou outras”, afirmou à Lusa.

Quanto às intervenções junto às crianças, segundo Wang Wei, “é muito importante” satisfazer suas necessidades emocionais, cultivando ao mesmo tempo a alfabetização digital e competências de autorregulação, “em vez de simplesmente tirar o celular delas”.

Até dezembro de 2024, o número de pessoas com acesso a esse tipo de vídeo na China atingiu cerca de 1,1 bilhão de indivíduos, sendo que 98,4% eram usuários ativos desse formato, de acordo com o Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet, publicado pelas autoridades chinesas.

 

Por: hoje macau

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